quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A Caravana

A semana começou num domingo chuvoso para a Welaway. O comboio partia em direção noroeste. Os bravos colonos resolvem montar acampamento nume grande pradaria antes do cair da noite, com medo de uma tempestade. O líder, sempre certo dos caminhos a seguir, parte com o xerife para fazer reconhecimento do território. 
Ao cair da noite, com os sons da chuva quase cedendo ao silêncio denso e sincopado da floresta, a caravana festeja a proximidade do fim da viagem.
Apenas mais alguns dias de marcha até a terra prometida. Eles finalmente conquistariam o Oeste.

Na manhã seguinte, um grupo de colonos que havia se afastado para agradecer a Deus se depara com a figura inerte do guia do grupo. Feliz ou infelizmente, ele não estava morto, mas completamente louco. Seus últimos fiapos de consciência se esvaiam conforme perguntavam-lhe banalidades, e até seu nome lhe escapava. A caravana decide manter sua posição até descobrir o que afligia o pobre líder, e pra onde seguir.

E parece que ultimamente isso aqui virou um blog sobre Escotismo. Mas afinal, como é uma das minhas metas pra esse segundo ano na França, nada mais válido. Aliás, acho que o próximo post será sobre isso.
Acho que não tenho como descrever o quanto me sinto bem recebido, e, nesse momento, um verdadeiro integrante do Grupo SELO. 

Voltando ao assunto, a história acima foi o fio condutor das atividades do acampamento da semana passada com o ramo lobinho. Foi uma semana como eu jamais imaginaria. Pra começar que a preparação já começou há muito tempo, desde que eu estava no Brasil pro estágio. Uma semana passa voando, mas não é pouco tempo, demanda muita organização e, pasmem, uma papelada imensa. A burocracia pra se acampar por aqui é completamente exagerada, tem todo um processo que começa vários meses antes. E outra coisa importantíssima a se pensar são todas as atividades a se fazer, afinal, a gente não está lá pra ficar olhando um pra cara do outro. Eu usei uma boa parte de minhas idéias, de tudo o que eu já vi nesses anos como escoteiro.

Atenção! Zona de texto mal escrito e acumulado em sentenças pouco conexas!

Pequena Lista de coisas que me marcaram essa semana: fazer todas as refeições na fogueira, fazer instalações gigantescas em madeira, derrubar árvores no lugar de bambu para as instalações, dar banho de baldada nos lobinhos, tomar banho de bacia e garrafão, cantar todas as noites a Canção da Despedida, preparar com os lobos dois "Cultos Ecumênicos"(católicos na verdade, já que aqui estou ligado ao escotismo cristão), fazer o papel de um colono louco por muito tempo, me divertir muito com os outros chefes, me divertir muito com as crianças, ficar muito puto com algumas, tirar um carro de um fosso, perder uma hora e meia por deixar os lobos cuidarem da bússola no dia da orientação, ser júri de um concurso de cozinha, aprender a oração escoteira em francês, aprender várias canções... 
O Victor olhando de lado cada vez que alguém fazia uma frase com um duplo sentido em potencial. E depois ignorando um lobinho que ele não via na fantasia de Bison Malicieux. E guardando todos os pacotes de comida que achava pra poder anotar os números de lote. E então as piadas que fazemos com isso. A Marie vestida de Betty, sendo chamada de Barbie, Batignole, tudo menos Betty. O Guillaume de Garret, o xerife sem estrela. Benoît fazendo seu John Stone enérgico e prepotente. Ou ainda puto da vida depois de ter voltado da exploração com a equipe das meninas. A Elise dizendo que as vezes não entendia o assunto e só fazia que sim com a cabeça. Sempre meditando e contando a história de estrelas como Castor Méditatif. E ainda todos eles, como chefes, me dando bronca e me mandando fazer 20 flexões ao voltar com os lobinhos da Veillée Casino. Os papos entre chefes toda noite, durante o quinto...
Os lobinhos correndo pra lá e pra cá, e fazendo bagunça durante as formações. E a energia deles durante os jogos, que se transformava em preguiça na hora dos serviços, especialmente pra lavar a louça. E o drama quando não estavam com o próprio prato... A cara de pau quando perguntávamos porque não estavam lá quando oferecemos a segunda rodada no almoço...
 
Atenção! Fim da Zona de texto mal escrito e acumulado em sentenças pouco conexas!

Mesmo os dois ou três lobos que eu queria ter escalpelado mais pro fim da semana tornaram a experiência inesquecível. Até partirmos, eu não estava ciente da nostalgia que viria logo em seguida, apenas de partir. Passar todo esse tempo juntos traz uma carga emocional bastante forte, é como aquela sensação de terminar um livro muito bom, só que os personagens realmente eram você e alguns amigos, que acabaram se tornando muito próximos.

Enfim, uma vez Cartentête, o guia,  curado, e sabendo novamente por onde seguir, a caravana pode partir. Mais uma vez sob a chuva fina, que formava uma fina camada de água sobre os colonos que dobravam calmamente as barracas. Eles sabiam que, apesar dos problemas e das dificuldades dessa semana, continuariam seu caminho, guardando ternas lembranças do momento que passaram entre cowboys, shamans, xerifes e pequenos lobos.










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