terça-feira, 1 de outubro de 2013

A longa jornada da Integração

Agora que finalmente acabou, posso finalmente me permitir um encontro com a máquina de escrever para tentar sintetizar todas as experiências desse começo do segundo ano letivo na França.
Como ano passado, o primeiro mês de aulas é cheio de eventos. A maioria deles foi exatamente como no ano passado, a grande diferença é que eu estava do outro lado. Eu não fui o novato chegando, agora eu estou com os veteranos recebendo e acolhendo os que acabam de chegar.

A seguir, um relato mal escrito e pouco claro sobre os eventos do último mês. Tudo o que estiver indecifrável foi proposital, com o intuito de proteger as pessoas envolvidas.

Tudo começou na última semana de agosto.

Logo de cara, recepção dos EI1 (e EI3) brasileiros. Com todos os eventos do escoteiro, acabou que eu não pude fazer tudo o que queria na recepção deles, acabei sendo interrompido por uma viagem a Saint-Malo. Não me arrependo, mas eu gostaria de pelo menos ter conseguido animar algum outro EI2 continuar o serviço e integrá-los.
Enfim, na semana seguinte começaram os eventos normais. Soirées na école, bar... Quarta-feira rolou o apadrinhamento. Como ano passado, cada veterano dava um objeto ao BDE e os bixos vinham procurar os respectivos donos. Eu dei o meu lenço da JMJ, e a minha fillote demorou um bom tempo até descobrir, ela acabou na pista de um outro escoteiro, o Guillaume - que por sinal está tentando um DD pro Brasil, pra UNICAMP, vejam só! - mas me achou no fim. Fillots et fillotes conhecidos, nada como um jantar Parrain-Fillot pra se conhecer melhor. Assim, acabamos fazendo um jantar ENORME em casa, éramos 20. Acabou que não conversamos tanto, mas estava um clima bem legal.

Vale ressaltar o quanto a Integração requer do nosso organismo: após este jantar, contávamos uma semana de festas e eventos, e já continuávamos direto pro fim de semana na "praia", o WEI. Este ano não foi na praia, e sim no interior da França. Acabou que viajamos MUITAS horas pra escapar do mau tempo, o que não deu em nada, tivemos 2 dias de tempo bem ruim. Nessas horas fomos nós, EI2, que animamos os ônibus, que desta vez estavam (na maior parte dos casos, fora os BTW) em 2 listas. Não sei até onde foi bom pros EI1, mas nós nos divertimos muito, especialmente com as eleições de Miss e Mister Bus. Fomos cantando putaria (menos que ano passado, mas cantando), contando piadas e zuando toda e qualquer pessoa que pegasse o microfone para falar. Na volta até o motorista deu seu depoimento. Como não podia deixar de ser, fizemos as Barrages de Cul e os "n Tours chocho", mas os EI1 nos decepcionaram quanto à participação, estavam meio mortos.

Falando em barragens, o próximo tópico: Apesar de contar ainda com várias pessoas  franceses malucos tirando a roupa - como é um costume desnecessário neste tipo de evento nas Grandes Écoles francesas - foi bem mais leve que o ano passado. Na competição de Mister WEI por outro lado teve um cara que se jogou no lago e ficou nadando na frente da galera peladão. Fora isso nem os Misters ficaram completamente pelados, foi surpreendente o pudor deles.
Num nível geral estava um pouco  todo mal-organizado, com atividades atrasadas, falta de comida, bangalôs sem água quente e por aí vai. Além disso, boa parte do staff estava frequentemente o tempo todo bêbada, não ajudando muito. Claro que teve gente que trabalhou muito, mas não foi o suficiente para tirar o atraso da falta de organização. O que salvou foi estar lá com meus amigos Golden, e apesar de alguns estarem enchendo o saco reclamando eu consegui aproveitar, fiquei bastante com os Pink e o Victor (um Born degenerado que "casou" com uma Pink).

Voltando, os eventos não param. Entre cozinhar pães de queijo, organização da volta do escoteiro, ir pruma balada vestido de mapa da rússia e jantares com os fillots, a semana passou voando. E assim, a Integração oficial acabou. Na semana seguinte tudo deveria se acalmar, e, assim, me propus a ir a todas as aulas. Incrivelmente, consegui. Mesmo saindo um pouco dei meu jeito. Os franceses estavam todos preocupados, pensando que eu estava doente ou algo assim. Eu disse que tinha certeza que tinha pego isso de algum dos chefes escoteiros, que vão nas aulas.Um deles me disse pessoalmente que não era ele pois ele não toma nota de nenhuma aula.

Chegando na quinta, começamos o que chamei de "Integração Brasileira". Fomos todos ao bar na torre de Nantes, e, saindo, encontramos um EI3, o Boneco, num bar com o Guxtavo e o Kevin. Sexta-feira rolou apadrinhamento, e, depois de uma "cerimônia" de muitas horas, acabamos passando em alguns bares até fechar a noite no Marlowe, após 3,5 litros de cerva. Nessa hora o Maurício já estava por aí, e assim sendo fizemos um super café da manhã no sábado, contando até com pães de queijo feitos com receita brasileira. Mais à tarde, na verdade quase a noite, no sábado mesmo teve o churrasco das 3 Gerações, com a presença ilustre de diversos EI3 queridíssimos, como o Maurício, Cachecol e Rabbah. Até o Zé veio, e acabou até bebendo. No fim o Rabbah estava engraçadíssimo, falando besteira infinito. Quando viemos para o centro, até que conseguimos arrastar um bixo, o Marcelino. Pena que ele estava tão morto que chegou no PP e dormiu, e no fim nem lembra de nada. Domingo foi dia de rodízio (só que não, estava fechado) Baraka, e após uma breve visita à uma exposição maluca que está em Bouffay fomos pra casa jogar videogame. Nessa hora alguns já tinham indo embora, mas ainda rolou estrogonofe com alguns a noite, estava muito bom. Tinha até a batata palha trazida do Brasil pela Pati!

O último evento que gostaria de relatar é uma apresentação que fiz na frente de 200 franceses. As melhores notas de um projeto com uma indústria vão se apresentar na frente dos EI1, e meu grupo foi escolhido. Estávamos todos putos, pois nosso projeto deveria ser confidencial, mas nos preparamos e demos nosso melhor. Ficamos em 3º lugar, mas pra mim foi uma experiência muito válida, sobretudo no aspecto linguístico. No ano passado eu tinha visto alguns veteranos travarem completamente nessa apresentação, e foi muito gratificante perceber que fui capaz de fazê-la sem ficar com cara de tacho durante 3 minutos. Meu único erro grave foi soltar um termo um pouco mais "das ruas" no fim, mas até aí não sei se isso é algo tão terrível assim.

E assim, mais um ciclo se fecha.  Parece que foi ontem que eu vi o Chello falando isso e achando ele nostálgico demais. Nada mais realista e sucinto pra explicar o sentimento que dá essa época.
Todos dizem que este segundo ano passa ainda mais rápido. Espero que, se for verdade, que seja por todo o proveito que a gente tira de tudo isso.

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